O que resta do litoral de Fortaleza

 

 

 

 

Dos 34 quilômetros de praia da Cidade, apenas 12, são utilizados apropriadamente pelos fortalezenses e turistas. O restante foi ocupado irregularmente, teve a faixa de areia comida pelo mar ou problema de poluição.

 

Fortaleza tem 34 quilômetros de praia banhada pelo Oceano Atlântico. Incluindo a orla do rio Ceará, chega-se a 43, quilômetros de orla. Mas onde está todo esse mar que ninguém vê!? Escondido por construções irregulares em dunas que viraram morros, emparedado por prédios, privatizado por hotéis e marinas. A cidade usufrui apenas 12 quilômetros de praia, ou seja 35% do litoral. O restante 65% não tem uso apropriado.

 

Os seis quilômetros da Beira Mar, onde a população se divide - uns utilizam o calçadão, outros tomam conta da praia no fim de semana -, e os seis da Praia do Futuro, destino de quem quer curtir o banho de mar e o caranguejo na cidade. Diferente das outras capitais litorâneas do Brasil, como Rio de Janeiro, Florianópolis e Natal, que tem varias praias freqüentadas, em Fortaleza só sobraram essa duas áreas para o lazer e o turismo.

 

Nos 15 primeiros quilômetros, da Barra do Ceará até o antigo kartódromo, a praia é o quintal de uma urbanização caótica. Quem passa pela Avenida Leste-Oeste nem enxerga o mar. O acesso é restrito aos moradores da área. A falta de segurança e a poluição da água afastam outros visitantes. Pouca gente já viu de perto a beleza do encontro do rio Ceará com o mar e da praia linear que se estende a direita com seus surfistas, jangadas e coqueiros. Na seqüência, a faixa de areia desapareceu em vários pontos. O mar se mostra, mas não é possível chegar nele. Até a Praia de Iracema, a praia praticamente não existe. As ondas quebram em paredões de pedra que controlam a erosão. A partir do aterro entre as ruas Idelfonso Albano e Rui Barbosa, a praia volta a aparecer.

 

Ao longo da Beira Mar, a areia some e reaparece. A vista do mar também não é contínua. São tantas construções ao longo do calçadão e da praia que em muitos pontos não é possível contemplar o mar, apesar de se estar ao lado dele. Na curva da orla, entre a Beira Mar e a Praia do Futuro, nos primeiros quilômetros do chamado setor Leste, o porto, o Serviluz e os tanques de combustível da Petrobras bloqueiam a praia. A polêmica sobre a instalação de um estaleiro nesse trecho, mais precisamente na praia do Serviluz, coloca em debate a "vocação industrial" do trecho e a possibilidade de requalificar a área, transformando-a numa conexão entre Beira Mar e Praia do Futuro. O debate poderia ter se estendido para toda orla. Será que damos a atenção devida as nossas praias? Mas ficou reduzido à comunidade do Serviluz.

 

Mais um sintoma da metrópole que não planeja e parece desconhecer as implicações de um urbanismo equivocado. A Prefeitura ensaia projetos isolados em alguns trechos, mas não há um planejamento que contemple os 34 quilômetros como uma extensão. "Isso é errado. A execução pode ser feita em partes, mas o desenho do que se quer na orla tem que ser pensado por inteiro", diz o urbanista Fausto Nilo que junto com os arquitetos Ricardo Muratori e Esdras Santos, venceu o concurso nacional de ideias que escolheu um novo projeto urbanístico para a Beira Mar. A reforma deve ser iniciada neste ano.

 

 

Fonte – O Povo



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