Centenário do Ceará Sporting Club

 

 

 

100 Anos do Ceará Sporting Club - Museu guarda troféus, conquistas e lembranças dos cem anos do Ceará. Pesquisador fala sobre acervo do Vovô e diz que ainda há peças faltando nas prateleiras. Historiador explica que torcida pode ajudar com doações.

 

 

 

Um lugar para guardar memórias. Com menos de quatro anos de fundação, o Centro Cultural Ceará Sporting Club tem a responsabilidade de acumular cem anos de história do Alvinegro em um único espaço. Troféus, conquistas e ídolos são reunidos em Porangabuçu, sede do clube, em Fortaleza.

 

O pesquisador Eugênio Fernandes é um dos administradores do museu do Vovô. Mesmo tendo chegado ao local há apenas um ano, ele ressalta a importância de preservar a memória do clube, coisa que não era feita no início da história do Alvinegro.

 

- Antigamente, as pessoas não guardavam esses objetos que, hoje, são históricos. Não se tinha esse hábito de conservar. Hoje, com essa iniciativa, daqui a dez, vinte ou trinta anos, teremos um arsenal muito maior de peças que retratem a história do Ceará - explicou.

 

Os cerca de 200 troféus dividem espaço com faixas de títulos estaduais, medalhas e até outros objetos que não necessariamente têm a ver com futebol, como telefones antigos e máquinas de escrever. A coleção, no entanto, está longe de terminar.

 

- Sempre há algo novo do passado. Estamos catalogando tudo, ainda. O museu, inclusive, ainda não é aberto ao público, mas será. Não temos o conhecimento total de quantas peças temos guardadas aqui no museu do Ceará. Mas posso estimar 200 troféus - pontuou.

 

Boas lembranças

 

 

 

 

 

Os troféus conquistados são as maiores recordações que um time pode ter em sua história. Dos quase 200 conquistados pelo Alvinegro de Porangabuçu, segundo o pesquisador Eugênio, faltam alguns na contagem do clube para compor as estantes do memorial. Ele explica que o troféu mais antigo de títulos cearenses data de 1939, portanto, faltam os dos títulos anteriores.

 

- Acho que faltam cerca de dez troféus, ao todo. Há alguns que não estão com a plaquinha de identificação. Por isso, creio que alguns dos que estão faltando podem estar entre esses que ainda não catalogamos - explicou.

 

De todas o xodó do pesquisador é a taça que marca o título Norte/Nordeste do Ceará sobre o Remo, conquistado em 1969.

 

- Acho que o mais memorável é o título do Nordestão sobre o Remo. Não foi uma competição local, para começo de conversa. O Ceará havia perdido o primeiro jogo e, no segundo, perdia até os minutos finais por 2 a 0, mas aí acabou conseguindo a virada. Foi inesquecível para quem estava lá, tenho certeza.

 

Além do Nordestão, as lembranças do vice-campeonato da Copa do Brasil contra o Grêmio, em 1994 e o acesso à Série A, em 2009, conquistado pelo Vovô, estão entre os momentos inesquecíveis eleitos pelo pesquisador na história do Ceará. No entanto, o feito mais incrível para o historiador é a presença dos mais antigos troféus.

 

- Nós temos quatro troféus dos anos de 1920. Nem sei como conseguiram, inclusive. Mas só o fato de terem conservado por 90 anos, já é muito. Acho isso incrível. Alguém guardou e conservou, como se faz com livros, jornais. A maneira como se preserva a história é algo louvável - declarou.

 

Sem memória, sem história

 

Embora ainda não esteja aberto ao público, o Museu do Vovô conta com doações dos torcedores para formar o seu acervo. Eugênio relembrou o episódio em que um jogador enviou

 

- Se a pessoa tiver um livro antigo, uma revista, e quiser doar para o memorial, pode ficar à vontade. Inclusive, há um ex-jogador dos anos de 1980 que colaborou com um troféu. À época, elegia-se a seleção do mês e ele acabou ganhando um troféu por fazer parte do grupo. Então ele entrou em contato com o clube, anos depois, e doou sua conquista. Hoje faz parte do nosso acervo - rememorou.

 

Eugênio, que faz a contagem, por si só, de vários jogos e dados do Vovô, lamenta a ausência de camisas, chuteiras e outros artigos esportivos de épocas distintas do Alvinegro de Porangabuçu. No entanto, ele crê que, a partir de agora, com a iniciativa da criação do museu, o acervo cresça mais a cada dia.

 

- É importante preservar a memória de um clube. Um povo sem memória não tem história – finalizou.

 

 

Juscelino Filho

 



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