Seca atinge 67 municípios do Ceará e governo federal reconhece a situação crítica

 

 

 

 

Nota do Portal Messejana

 

Não é possível que os gestores do Estado e municipais estabeleçam outras prioridades, deixando de lado a visível seca que assola mais de 60 municípios cearenses. A difícil situação aflitiva de milhões de nordestinos mais uma vez chega aos limites intoleráveis. Enquanto isso observamos a burocracia impedindo a distribuição e instalação de reservatórios de água (cisternas) em alguns municípios, conforme amplamente noticiado na televisão. Além do erro em não destinar recursos para a construção de cisternas nos próprios municípios atingidos, quando poderiam empregar até mesmo a mão-de-obra local, e as comprando muitas vezes mais caro, ainda há o descaso e a demora em instalar as tais cisternas. Um desrespeito para o povo. O Departamento Nacional de Obras contra as Secas diz que a instalação de cisternas “encalhadas” no município de Granja, por exemplo, serão instaladas somente em novembro. É lamentável assistir a este pouco esforço dos governos para uma situação difícil como esta que aflige os nordestinos há muito tempo. E a irregularidade climática sempre foi previsível no nordeste. É impressionante o descaso com o nordeste no que diz respeito à seca... Reconhecer a situação é uma coisa fácil, visível. O problema é dar assistências às populações atingidas pela seca.

 

 

  

Mais de duas mil cisternas ficam amontoadas em terreno no Ceará

 

Material que lota terreno do município de Granja, a 340 km de Fortaleza, é o mesmo que falta nas casas onde moradores não têm acesso à água.

 

O governo federal reconheceu hoje (18), em portaria publicada no Diário Oficial da União, a situação de emergência 67 municípios cearenses afetados pela seca. No dia 29 de abril, o governo do estado decretou emergência nessas cidades, entre as quais, Crateús (no Sertão dos Inhamuns) e Quixadá (no Sertão central). Ambas foram visitadas pela Agência Brasil em fevereiro deste ano. A população tinha dificuldades em conseguir água para consumo e para as atividades produtivas no campo.

 

Estiagem no reservatório conhecido como Açude da Pista, que abastecia moradores da comunidade Engano, no distrito de Riacho Verde, em Quixadá, sertão central do Ceará.

 

Chuva no Ceará fica abaixo da média e governo federal reconhece situação de emergência em 67 cidades.

 

O Ceará enfrenta, em 2015, o quarto ano de estiagem. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) a quadra chuvosa – período de chuvas no Nordeste – foi abaixo da média e não conseguiu repor a capacidade hídrica dos reservatórios. Segundo o Portal Hidrológico do Ceará, dos 151 reservatórios monitorados, apenas seis estão com 90% de sua capacidade. No total, o Ceará conta com apenas 19,7% da capacidade de seus açudes.

 

Ministro diz que 56 cidades do Nordeste estão em colapso por causa da seca

 

De acordo com o gerente de Homologação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), sargento Paiva Júnior, o reconhecimento federal permite que as populações dos municípios tenham acesso a programas da União capazes de diminuir os efeitos da estiagem, como a compra de milho mais barato para alimentar animais, o refinanciamento de dívidas rurais e a bolsa-estiagem, que paga um auxílio de R$ 80 mensais para agricultores familiares que tiveram prejuízos. Segundo o portal Observatório da Seca, do governo federal, há 68.211 pessoas recebendo o benefício, no Ceará.

 

O governo do estado pode solicitar recursos para a contratação de carros-pipa com o objetivo de abastecer as sedes dos municípios (zona urbana). Atualmente, segundo o gerente, as zonas urbanas não necessitam de abastecimento por carros-pipa. No entanto, a Cedec prevê que 32 municípios possam entrar em colapso entre julho e outubro deste ano.

 

Paiva Júnior destacou que, para lidar com essa possibilidade, o governo do Ceará está elaborando um plano de trabalho para solicitar recursos de contratação do serviço, caso seja necessário. “O estado não tem nenhum programa de atendimento com carros-pipa. O recurso é 100% federal. Se o município não tiver em situação de emergência, não temos como atendê-lo”, explicou. Já o atendimento da zona rural com carros-pipa é feito pelo Exército.

 

Segundo o sargento, além desses 67 municípios, 28 tiveram situações de emergência reconhecidas e o decreto estadual deve ser assinado e publicado ainda nesta segunda-feira. Há ainda 45 cidades com solicitações de situação de emergência a serem analisadas. As avaliações são feitas conforme a Instrução Normativa 01/2012, do Ministério da Integração Nacional, que estabelece critérios para decretação de situação de emergência ou de calamidade pública.

 

Duas mil cisternas ainda não instaladas e o povo necessitando de água

 

No Ceará, o período chuvoso também está acabando. Enquanto isso, mais de duas mil cisternas que deveriam ajudar milhares de famílias a armazenar a água da chuva ainda não foram instaladas. Elas estão amontoadas em um terreno há quase dois meses.

 

 

 

 

 

O material que lota um terreno do município de Granja, a 340 quilômetros de Fortaleza, é o mesmo que falta nas casas onde os moradores não têm acesso à água.

 

"A gente é obrigado a se deslocar daqui, pegar as caminhonetes, ir até uma nascente na serra, com uma distância de talvez uns 25 quilômetros, para poder reabastecer e trazer para o consumo do dia a dia", diz o agricultor Manuel dos Santos Neto.

 

Com as cisternas feitas de polietileno, um tipo de plástico, os moradores podem acumular até 16 mil litros de água da chuva. As enviadas pelo Governo Federal chegaram em março, no meio do período chuvoso. Agora ele está terminando e mais de 2,2 mil famílias, que esperam as cisternas, precisam improvisar.

 

"A pouca chuva que tem a gente apara em um balde, aproveita, a gente bebe e quando acaba o jeito é beber água ruim", conta a dona de casa Francisca dos Santos.

O Dnocs, Departamento Nacional de Obras contra a Seca, é o responsável pelas cisternas e informou que as famílias já estão cadastradas, mas ainda não podem receber os equipamentos, enquanto não termina um trabalho que está sendo feito para mapear a localização de cada casa e analisar a situação das famílias.

O coordenador do programa "Água para todos" diz que, nesta etapa, chamada de georeferenciamento, as cisternas são estocadas na cidade para que mais famílias possam vê-las e se cadastrar.

 

"Vai acontecendo, ao longo do georeferenciamento, a eliminação de algumas famílias que não estão dentro do critério, aí nós voltamos lá e fazemos uma nova seleção que a essa altura já existe uma nova demanda de famílias", explica Elias Benevides, coordenador do programa ‘Água para todos’.

 

Mas, para quem vê a solução para matar a sede tão perto de casa, sem poder desfrutar, o sentimento é um só. "É um sentimento de tristeza e abandono no município. Porque faz tempo que essas cisternas chegaram e ainda não foram instaladas. Enquanto isso, a população ainda continua sofrendo. Sem saber quando elas vão ser instaladas", diz o motorista Valdemir Dourado.

 

O Departamento Nacional de Obras Contra a Seca declarou que todas as cisternas devem ser instaladas até novembro.

 



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